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Leung Lan Kwai representa a quarta geração de  ancestrais da nossa linhagem.

Segundo Lee Man, grande amigo de meu sigung Ip Man, Leung Lan Kwai nasceu de uma família abastada de Futsan (Foshan), Província de Kwangtung (Guangdong), China.

De acordo com Wong Lun Gui, um descendente de Wong Lo Joh,  este último socorreu um homem de nome Lan Kwai que havia sido atropelado por uma carruagem no distrito de Tungkun (Dongguan).

Apresentando-se como um membro de uma organização que tinha como objetivo restaurar a dinastia Ming, ele disse ser praticante de um kuen sut originado num monastério budista do sul da China.

Esse relato reforça a afirmação de que Leung Lan Kwai havia ingressado no Keng Fah Wui Kwun e recebido o legado de nosso moonphai de Wong Wah Bo.

Conforme meu sifu Moy Yat, Leung Lan Kwai retransmitiu o que recebeu de Wong Wah Bo para Leung Yee Tai.

Assim, Leung Yee Tai era choi chuen daigee (discípulo de segunda geração)  de Wong Wah Bo

Um episódio que descreve a excelência de Lan Kwai é aquele em que ele é desafiado por um perito na arte do bastão e o derrota sem ao menos feri-lo, mas deixando claro que, se ele quisesse, poderia com um apenas um movimento de Bot Jom Doa decepar os dedos de seu adversário. 

Em suas conversas com Wong Lo Joh, afirmou que, após passar por tristes experiências, buscava a paz espiritual, desejando dedicar-se à vida monástica.

Essa confidência leva muitos crerem que o misterioso monge especialista em facas duplas que neutralizou com extrema facilidade a famosa técnica de bastão longo do mestre Yuen Shu, do estilo Hung Gar, tenha sido na realidade Leung Lan Kwai.    

A despeito de sua origem privilegiada, Leung Lan Kwai  não hesitou em pertencer a classe social dos atores que, apesar do prestígio pelo entretenimento que eles proporcionavam, era considerada a mais baixa da escala social.

Essa decisão foi tomada em função do que ele acreditava que seria melhor para si e para os seus compatriotas, fato que trouxe grande admiração de outros membros do Hung Suen Hei Ban e que permitiu com que tornasse discípulo do grande líder do Keng Fah Wui Kwun, Wong Wah Bo


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No texto, o que mais me chama atenção não é apenas sua excelência marcial ou sua posição na linhagem, mas a coerência radical entre vida, escolha e Kung Fu. Ele não seguiu o caminho que lhe era socialmente mais fácil; ao contrário, abriu mão de origem, status e conforto para se alinhar àquilo que acreditava ser verdadeiro, tanto para si quanto para seu povo. Isso me faz pensar que a transmissão do Ving Tsun nunca foi apenas sobre movimentos ou métodos de combate, mas sobre postura diante do mundo.

Leung Lan Kwai parece mostrar que o verdadeiro refinamento do Kung Fu acontece quando técnica, ética e espiritualidade caminham juntas. Sua capacidade de vencer sem ferir, de dominar sem humilhar, e de buscar a vida monástica após experiências dolorosas revela um entendimento profundo do que é força de fato. Para mim, isso reforça a ideia de que o Ving Tsun não sobreviveu por gerações apenas por ser eficiente, mas porque foi carregado por pessoas que compreenderam que o Kung Fu é um meio de transformação humana, não um fim em si mesmo.

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